Sindicato

El Niño pode influenciar a produção de trigo no Centro do Brasil, mas impacto varia conforme a região

Embora o fenômeno climático El Niño seja frequentemente associado aos seus efeitos sobre a agricultura brasileira, seus impactos na produção de trigo diferem de acordo com a região do país. No Centro do Brasil, onde o cultivo tem crescido nos últimos anos, especialmente em áreas do Cerrado, os principais desafios estão relacionados ao aumento das temperaturas e à irregularidade das chuvas.

trigo2
7 de Agosto de 2026

m estados como Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, o trigo é cultivado tanto em áreas de sequeiro quanto sob irrigação. Durante episódios de El Niño, é comum ocorrer elevação das temperaturas e redução ou maior variabilidade das precipitações, fatores que podem acelerar o ciclo da cultura, reduzir o período de enchimento dos grãos e comprometer a produtividade, principalmente nas lavouras que dependem exclusivamente das chuvas.

Nas áreas irrigadas, os impactos tendem a ser menores, desde que haja disponibilidade de água para suprir a demanda das plantas. Ainda assim, as temperaturas mais elevadas aumentam a necessidade de irrigação e exigem maior atenção ao manejo da cultura.

A situação é diferente na Região Sul, responsável pela maior parte da produção nacional de trigo. Nessa região, o El Niño normalmente favorece o aumento das chuvas durante o inverno e a primavera. Embora isso possa beneficiar algumas culturas, para o trigo o excesso de umidade representa um risco importante, pois favorece a ocorrência de doenças fúngicas, dificulta a colheita e pode comprometer a qualidade industrial dos grãos.

Especialistas destacam que os efeitos do El Niño não são uniformes e dependem da intensidade do fenômeno, da época de semeadura, das condições locais de solo e clima, da cultivar utilizada e das práticas de manejo adotadas pelos produtores.

Com a expansão do trigo no Cerrado brasileiro, o monitoramento climático e o planejamento da safra tornam-se cada vez mais estratégicos. O uso de cultivares adaptadas, a adoção de tecnologias de irrigação e o acompanhamento das previsões meteorológicas são ferramentas essenciais para reduzir riscos e manter a competitividade da produção nacional.

Diante desse cenário, o acompanhamento das informações divulgadas por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Embrapa e a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) é fundamental para orientar produtores, cooperativas e a indústria na tomada de decisões ao longo da safra.


Notícias
Últimas Notícias e Atualizações